sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Morte


A Morte é um acontecimento com o qual a civilização humana tem perdido a intimidade. Muitos podem rir lendo isso, mas é verdade: Vemos a morte nos noticiários ou nas ruas, mas ela é algo distante e estranha para nós.
Muitos reclamam que os tempos estão mais violentos. Na verdade já se viveu épocas muito mais calamitosas. A diferença é que, hoje, a solidariedade é quase algo temeroso (temos receio de nos envolver com a vida do vizinho, da comunidade em que estamos inseridos) e os rituais fúnebres deixaram de fazer parte de nossas vidas como ritos naturais, como o nascimento e a velhice.
Faz-se hoje da morte um acontecimento extraordinário, como um show, em telejornais e programas sensacionalistas. Aceitar a morte como natural não é deixar de chocar-se com a violência ou com a maldade humana, ou deixar de querer aqueles que amamos, e que se vão inesperadamente; mas sim encará-la como parte natural do Todo. Não sabemos os caminhos que o Universo percorre, como uma teia em que tudo e todos possuem um lugar e objetivos interligados. A morte não é o fim, é apenas a transição necessária para continuar. Não sabemos ler a caminhada inteira de onde estamos: tudo só fará sentido quando a trilha terminar seu ciclo.
Aquele que deixa de temer a Morte, deixa também de temer a Vida.

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